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  • Questão econômica
    Foto: Alisson Gontijo

    A indústria de bebidas em cheque

    Para dar uma idéia da importância da indústria de bebidas para o país, vale lembrar que o mercado brasileiro de refrigerantes no Brasil é de 13,6 bilhões de litros/ano, o que confere a essa indústria o terceiro lugar no ranking mundial, atrás apenas do México e dos EUA. São mais de 750 fábricas em todo o país, que produzem cerca de 3.500 marcas.

    Trata-se de um setor de grande importância econômica, seja pelo consumo de matérias-primas (1,2 milhão de toneladas de açúcar/ano; 150 mil toneladas de sucos de laranja, uva e limão/ano; 500 toneladas de sementes de guaraná/ano), seja pelos mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, cerca de 1 milhão de pontos de venda e uma carga tributária de 40%.

    Quanto à cerveja, o Brasil está entre os quatro maiores fabricantes do mundo, com um volume anual superior a 10 bilhões de litros. Em 2007 o faturamento bruto registrado pelas cervejarias brasileiras foi de aproximadamente R$20 bilhões. O setor emprega mais de 150 mil pessoas, entre postos diretos e indiretos. A participação da cerveja na arrecadação dos tributos indiretos é a maior entre todos os setores da economia que se dedicam à produção de bens de consumo: 5,1%.

    É consenso no mercado brasileiro de bebidas que os bons resultados alcançados pelas cervejarias que adotam o selo são creditados à eficácia desse acessório como instrumento de marketing, e não às suas supostas vantagens higiênicas.

    Os impactos econômicos e logísticos de uma eventual obrigatoriedade legal de uso do selo já foram avaliados, indicando um aumento substancial dos custos de produção, por razões que vão desde a necessidade de aquisição e instalação de equipamentos específicos até a queda da produtividade no envasamento. Sobre esse último efeito, é preciso destacar que não existe equipamento para a colocação de selos em latas capaz de acompanhar o ritmo de máquinas envasadoras de bebidas de alta velocidade (até duas mil latas por minuto, no caso de refrigerantes).

    Os equipamentos para a colocação de selo em latas de bebidas são produzidos no Brasil por uma única empresa, a alemã Krones, responsável pela introdução desse acessório no país. Essa Empresa trouxe para o país a Taxomatic, máquina que aplica um rótulo de folha de alumínio com cola sobre as tampas das latas de bebidas. O equipamento foi desenvolvido na Alemanha para ser usado em latas de alimentos.

    Os equipamentos seladores existentes no mercado são capazes de operar com quinhentas ou mil latas/minuto, Isto reduziria a produção de um grande fabricante de 50% até 75%. Além disso, esses equipamentos são do tamanho de uma máquina envasadora e as fábricas já estabelecidas não teriam espaço físico adicional para instalá-lo. Mesmo se a velocidade de envasamento fosse acompanhada pela máquina seladora, só a introdução de mais uma etapa na linha de produção já reduziria consideravelmente a sua eficiência.

    Estima-se em cerca de R$ 75 milhões o custo para a compra e instalação do equipamento para a colocação do selo, considerando apenas o atual parque produtivo do setor cervejeiro nacional. A colocação do selo traz também outro tipo de problema: ele compromete a precisão do design da lata de alumínio, o que resulta em dificuldades para a estocagem e exige adequações da indústria até o varejo.

    O desenho da lata é perfeito para suportar cerca de 110 quilos de peso de empilhamento e o seu formato torna essa ação mais simples e segura, uma vez que o fundo de uma lata se encaixa perfeitamente na tampa de outra. Com isso, o transporte e armazenamento são mais seguros, impedindo que as tampas sejam deformadas e provoquem vazamentos.

    A introdução do selo exigiria alterações nos processos de estocagem e manuseio, reduzindo a eficiência e produtividade desses procedimentos e contribuindo para o encarecimento da embalagem e do produto.

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